20 de abril de 2017

John Tracy Music and History

Situado ao sul dos Estados Unidos o estado do Texas é um dos mais populosos do país. A partir do século XX deixou de ser apenas uma região agrícola para entrar também no campo da indústria petrolífera e aeroespacial despontando entre os mais ricos estados do país. Foi cenário dos filmes de cowboy que proliferaram pelo mundo na década de 80. É de lá que vem nosso entrevistado John Tracy (55).

Nascido em Fort Worth, cidade pertencente à região metropolitana de Dallas, John nos conta que em geral teve uma boa infância, os pais viviam juntos, tinha uma boa casa e uma vida confortável. Contudo, seu pai por ser um homem de negócios nunca teve muito tempo para ele o que foi recompensado pela sua mãe. “Minha mãe tentou sempre dar o melhor dela, eu jogava baseball quando garoto e ela gastava horas fora de casa arremessando a bola para ajudar em meus treinos, tenho boas lembranças do tempo que passamos juntos”, comenta.

Foi através da coleção de discos de sua mãe que John começou a se interessar por musica. Tinham um daqueles aparelhos que tocava vários discos com função de rádio também. A coleção de sua mãe contava com os grandes sucessos dos anos 50 e 60. ”Na época, poderia ficar horas escutando e cantando junto com as musicas daquela coleção”, ressalta.


O artista conta que em sua adolescência teve vários momentos solitários. “Reconheço que tinha um bom círculo de amigos, no entanto sempre estive em busca da minha alma gêmea”, revela. Sendo de personalidade artística desde jovem, John argumenta que sempre se sentiu como uma peça quadrada em um buraco redondo em relação à maioria das pessoas. “Nós do tipo artístico somos mais emocionais, vemos a vida um pouco diferente da maioria das pessoas e estamos sempre em busca de validação através de nossa arte”, enfatiza.

Seus dias solitários na adolescência foram o que o conduziram para a música. “Embriagava-me com a musica popular daqueles idos anos 70, especialmente as canções dos cantores compositores daquela era”, recorda. Assim que começou a tocar violão os dias de solidão foram preenchidos. Então, dedicava seu tempo aprendendo a tocar suas canções favoritas. Nessa época John estava com 16 anos e sentia-se extremamente inclinado a aprender seu instrumento. “As canções dos meus ídolos moveram-me e eu queria muito tocar como eles”, revela. O artista comenta que jamais teve aulas de canto.

No início John ensaiava por horas e horas, teve um professor que lhe ensinou o método de tablatura. “Eu não sei partitura, ele me ensinou o básico, aperfeiçoei meu estilo de tocar por conta própria”, comenta. Passou a gravar suas musicas favoritas em seu gravador portátil tocando cada canção várias vezes. “Tocava nota por nota até ficar tão perfeito quanto a gravação original”, destaca. Inspirado por James Taylor passou a treinar mais o dedilhado, tocando os baixos soltos com os acordes para dar às suas melodias um som mais cheio.

Seu primeiro violão foi comprador por seus pais que também patrocinaram sua primeira gravação demo. “Eles faziam tanto quanto podiam para me ajudar. Eles não eram artistas, portanto, não entendia minha natureza artística. Assim, eles não eram realmente aptos para nutrir aquilo que eu estava alimentando”, revela.

Perguntado sobre as dificuldades no início de carreira o artista declara que foram várias como: conseguir dinheiro para gravar suas musicas; arranjar casa de shows para tocar; construir uma base de fãs; fazer sua musica ser ouvida pelas massas, entre outras. “A menos que você seja um dos poucos sortudos que encontram o estrelato, estas são dificuldades diárias que você está continuamente trabalhando para superar”, salienta.

Seu professor de violão chamava-se Les Clark, morava na localidade e fora indicado por seu amigo. “Eu gostava dele porque ele me ensinava as musicas que estavam tocando nas rádios”, comenta. Através da tablatura John aprendeu rapidamente o que manteve seu interesse em continuar se aperfeiçoando. No início seus pais pagavam as aulas e quando iniciou seu caminho pela composição passou a bancar por si próprio os custos com workshops e conferencias para desenvolver suas habilidades. Seu primeiro violão foi um Gibson modelo Gospel que ainda guarda consigo.

John acrescenta que logo que começou aprender a tocar, não se sentia satisfeito em apenas tocar musicas de outros artistas e queria aprender a fazer suas próprias canções. “Eu comecei lendo livros sobre composição musical e usando as musicas de meus ídolos como exemplo”, revela. Aos vinte anos gravou seu primeiro trabalho autoral em um esforço para despontar no show business. Fez uma série de shows em Nashville e teve uma de suas canções publicada por um editor.

Além da musica, sua outra grande busca era encontrar sua alma gêmea e constituir uma família. Aos 22 anos conheceu Teri, àquela que se tornaria sua companheira e apoiadora ao longo de sua jornada. Em razão de seu desejo por constituir uma família ter sido maior que o desejo pela musica, John passou a trabalhar na empresa da família e prosseguiu tocando a musica como um hobby. “Contudo, fiz tudo que se espera de um jovem profissional: cresci na empresa, comprei uma casa, tive filhos e me estabeleci naquele estilo de vida”, argumenta.

O artista relata que trabalhar em um negócio de família traz muitas oportunidades, mas também muito estresse e momentos complicados. Então, aos 45 anos, John desperta para o fato de que não pode mais suprimir sua natureza artística. “O estresse dos negócios estava alcançando seus limites e as paixões não cumpridas estavam começando a me consumir”, desabafa. “Eu acho que a tal ‘crise da meia-idade’ é mais sobre você abrir os olhos e realmente questionar o que está fazendo com sua vida”, ressalta. Assim, com o suporte de Teri e seus filhos, em 2006 John deixa o mundo dos negócios para empreender de uma vez por todas a carreira profissional com intérprete e compositor. Em maio do mesmo ano o artista lança seu primeiro álbum intitulado “Slow Down”.

Os artistas que o inspiram são grandes nomes dos anos 70 como: James Taylor, Jim Croce, Jackson Browne, Dan Fogelberg, Gordon Lightfoot, Cat Stevens, Don McLean, John Denvern, entre outros. Na sua jornada musical John tem se apresentado em diferentes palcos, dos grandes aos pequenos como: teatros, salas de concerto, jardins botânicos, restaurantes, adegas, festivais, conferencias, bares, igrejas, etc.

Durante um ano John se apresentou no dog park e conta que foi muito divertido. Dog park trata-se de um parque popular da vizinhança com espaço para passeios com animais de estimação. “Lembro-me que alguém atirou um brinquedo para seu pet e quase me acertou, todavia, todos se divertiram muito”, relata. Uma de suas apresentações favoritas foi em uma sala de concerto onde o ambiente proporcionava maior intimidade com o público. “O contato mais próximo com o público dá a chance de compartilhar sua arte realmente com alma e coração”, ressalta.

Sobre a questão financeira John pondera que, ao fazer shows gratuitos, algumas vezes se torna difícil pagar as contas. Algo também deve ser feito pelo ofício, pois demanda tempo e energia. Então procura ter apresentações para gerar receita, atualmente faz uma média de doze shows por mês. Sobretudo, o artista é apaixonado pelos palcos desde o iniciou. “Não há nada como estar em frente ao público e compartilhar suas histórias e vida com eles”, revela. O artista nos conta que adora o processo de fazer musica, entretanto, a conexão do público no momento das apresentações é o que realmente lhe dá um senso de preenchimento. “Atualmente, isto é o que me proporciona o melhor dos prazeres na vida”, enfatiza.

Sua fonte de inspiração vem dos seus ídolos, aqui já mencionados. “Eu adoro encontrar minha própria história nas canções deles e como suas letras me ajudam a encontrar caminhos em tempos turbulentos, e eu desejo fazer o mesmo para outras pessoas através de minha música”, ressalta. As letras de John falam de amor e de experiências de vida. Por meio de suas musicas são retradadas as nuances do cotidiano. O artista comenta que muitos de seus fãs já revelaram que se descobriram através de seu som, encontrando coragem por saber que não estão sozinhos em sua jornada e acharam paz e inspiração por meio de seus temas. Sua primeira canção foi a musica ‘Casey’, escrita em 1981, uma história de amor sobre uma garota que partiu seu coração.

Seu processo de criação é pouco convencional. “Eu não sou o tipo que se senta e escreve uma canção todos os dias, tenho que estar inspirado e ter algo que eu realmente queira contar”, pondera. Suas composições costumam ser transparentes e introspectivas, compartilhando suas próprias experiências. John frequentemente começa pela melodia juntando as sonoridades em seu violão e construindo novos temas melódicos, quando encontra algo que tem um bom encaixe, passa a pensar em um tema que se ajuste ao contexto. “Trabalho duro para escrever uma letra que corresponda com cada nota. Para mim, é um processo meticuloso, mas ao mesmo tempo estimulante. Não há nada como a sensação de terminar uma música”, enfatiza.

Seu mais recente trabalho é o álbum ‘Happy Ever After’ e seu álbum de Natal ‘Magical Memories – A John Tracy Christmas’, mixados e masterizados por Kevin McNoldy do estúdio Cphonic Mastering. “McNoldy realmente entende a natureza de minha arte, ele cosegue fazer com que minhas canções ganhem brilho”, ressalta. John pública suas obras através do selo SoundCafe Records.
Perguntado sobre as dificuldades na carreira musical o artista nos revela que para os artistas desconhecidos o problema está na indústria da musica, e acrescenta que sempre são as mesmas questões como: alcance, base de fãs, finanças e como viver em tempo integral do negócio da música. Contudo, a modernidade das tecnologias tem desempenhado importante papel na propagação de trabalhos musicais. “Sabemos que as mudanças na tecnologia abriram incríveis oportunidades para os artistas, especialmente os independentes sem gravadora, temos a habilidade de gravar nossas próprias musicas e tê-las no palco mundial por meio das redes sociais e a presença online”, considera.

Apesar das facilidades tecnológicas o artista considera não ser tarefa fácil ganhar a vida através da arte, aponta que há muita musica na rede e que o processo de produção musical deve ser contínuo e de qualidade para manter os fãs engajados. “O que ocorre hoje é que você tem que criar um relacionamento com seus fãs na web, é um trabalho gratificante, porém, é também um trabalho duro ter devotar várias horas, todos os dias para manter essa relação acesa”, acrescenta.

O artista acredita que o fato de as pessoas estarem consumindo musica de forma diferente nos dias de hoje é também um grande obstáculo para os artistas. “As pessoas tendem a usar sites de streaming mais do que comprar CDs, e esses sites pagam muito pouco para os artistas, levando-os a procurar outros meios de serem gratificados pelo seu trabalho”, salienta. Mesmo com o sucesso que tem tido, John ainda enfrenta essa luta e diz que isso o obriga a se tornar melhor em marketing, empreendedorismo e buscar constantemente o topo no jogo, como músico e como intérprete.  

Perguntado sobre o porquê de trabalhar com musica o artista enfatiza que nasceu com isso, nasceu para ser criativo. “A musica é o veículo que uso para expressar minha criatividade, eu sinto em essência que isto é a minha razão de ser”, ressalta. Para John, musica é sua fonte de vida, quando garoto a musica lhe ajudou a manter a sanidade através dos dias de solidão, quando aprendeu a tocar e criar suas obras a musica se tornou uma forma criativa de libertação. “Escrever e executar minha própria música também tem sido cura e uma maneira de navegar através das lutas da vida e das alegrias. Além da minha família e da minha fé no meu Criador, a música significa a definição de quem eu sou”, enfatiza.



Com parte dos recursos obtidos pela musica, John colabora com organizações de caridade como: a Donate Life America, instituição que trabalha aumentar o número de registro de doadores de órgãos nos Estados Unidos; e, a Young Life, um ministério internacional que trabalha com o objetivo de criar ações positivas nas vidas das crianças das comunidades. “Meu cronograma não me permite participar pessoalmente na ação dessas instituições, porém, é uma benção poder ajudar financeiramente”, comenta.

Sobre a complexidade do mundo, John acredita que a maior questão em nosso mundo é a falta de respeito que umas pessoas têm em relação às outras. “Esquecemos-nos de como tratar uns aos outros com dignidade e cortesia. Acredito que apesar dos grandes benefícios das redes sociais, na maioria dos casos a popularidade desses espaços virtuais compõe esse problema”, argumenta. Para o artista, tem ocorrido o esquecimento de como se relacionar com outras pessoas pessoalmente e se gasta muito tempo no mundo virtual, mais que no real. O artista acrescenta que, além disso, há uma série de outras questões como radicalismos e agitações políticas. Para John, cada pessoa é responsável pelo seu canto do mundo, e deve-se buscar ser um exemplo positivo e fonte de luz para a própria comunidade em que se vive. “Se todos nós trabalhássemos em tornar nossas próprias comunidades melhores lugares para viver, então o efeito seria global”, enfatiza.

Sobre suas expectativas em relação ao mundo, o artista comenta que se não fosse sua fé em Deus tudo seria muito amedrontador e por uma série de fatores que não cabe enumerar. “Eu acredito fundamentalmente que Deus está no controle e que ele estará comigo em cada passo do caminho em minha jornada. Quando o futuro é incerto mantenho minhas esperanças Nele, Ele sempre me acompanha e tenho percebido Suas mãos trabalhando diversas vezes, é um conforto saber que posso contar com Ele ainda que o caminho não seja claro”, ressalta. Para saber mais sobre o trabalho de John Tracy acesse: John Tracy Official Website, Fan Page, YouTube Channel, Instagram e Twitter.